sexta-feira, 21 de maio de 2010
Falta de sorte
O azar batia à sua janela. Nunca o deixou entrar. Mas sente-se muito sozinha, às vezes. E ele nunca desiste.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Um dia entre o céu e a terra
É o posto. E o convexo. Um trago. Cabeça inclinada. Nada. Tem sentido. Vivo. E não relaxo. Acho. Por onde ir.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Rua das Janelas Verdes
Há dias esperava que ele aparecesse. E se estivesse errada? Revia suas palavras. Refazia o caminho indicado. Não poderia ser mais fácil: era a única janela vermelha. No décimo dia, entendeu. O amor de sua vida fora perdido para o destino. Ele era daltônico.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Sem gelo, por favor
Sábado, sol. Na mão, o copo cheio. Na boca, outra. Presa. Colo certo. Quente. Enjaulada entre braços. Conduzida. A boca ainda. Pernas? Sim, tenho. Por quanto tempo. Mais um quarteirão. Nuca. Olhos. Portão. E boca. O toque na orelha. Me dá a chave do salão? Escadas. Poucas. Isolados. Seu gosto. Puro.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
SOS
Então tive que me submeter ao gosto das despedidas e seus detalhes salgados. Pitadas da âncora que me prende ao mundo. O que é esse monstro com o qual me deparo toda vez? Velho conhecido, com quem nunca me acostumo. Fico presa ao pé da mesma cama enquanto entendo a existência das outras cores. Hipnotizada, levanto voo. Sem nunca deixar esse planeta. Aquele que sou eu e mais ninguém. Um ponto escuro no buraco negro de um universo que não existe.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Voo de ida
Não esperava. Juro que não. Então percebi meu peito sossegado. Claro que isso não é certo. Se a vida é feita de soluços. Entrego meu posto. Antes que minhas raízes fiquem mais profundas. E que seja mais dolorido. Minhas saudades caberão na minha casa. Com nome de Pinheiros. Mas hoje sou maior que ela. Por isso deixo-a e levo comigo. Cada tijolo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Em nome de Deus
Meu lugar é diferente dos que creem nas religiões mas não em seus mitos. Não entendo a imposição de valores, não compro aqueles que vendem armas para os dois lados. Tampouco entendo as armas. Ações que se resumem em querer fazer do outro um espelho do que gostaríamos de ser. Livre arbítrio uma ova. Se não se permitem a eles mesmos, concluem que ninguém mais tem esse direito. Camisas de força distribuídas em nome de Deus, seja lá que nome ele tem, chamadas de leis, regidas por um Estado submisso. A Terra agoniza por obedecer regras inventadas por homens com idades de quatro dígitos. Que seguem impostas por outros tantos saídos da linha de produção com o chip programado para matar e morrer em nome da sua verdade. O povo merece a guerra. A intolerância é quem manda. Mas, por favor, deixem Deus fora disso.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A melhor cantada
- Você vem sempre aqui?
- Ah, vai. Essa cantada, não.
- Na verdade não é uma cantada. Tô fazendo uma pesquisa.
- Pesquisa, é?
- Sim, sobre os frequentadores desse bar.
- Hum. Desculpe. Sabe como é, né?
- Imagino que você esteja acostumada com esse tipo de abordagem.
- Nem tanto. Mas é que é bem batidinha...
- E qual é o tipo de cantada que te atrai?
- As mais inteligentes, ué.
- Alguma que você possa citar?
- Deixa eu ver... Uma vez um cara me disse que era de uma empresa de cosméticos e que estava interessado em me contratar como modelo oficial da marca dele.
- E você?
- Fiquei interessada, né? Daí ele pegou meu telefone e disse que a empresa dele entraria em contato para uma entrevista.
- E a empresa ligou?
- Nada. Ele ligou no dia seguinte, pediu desculpas pela brincadeira, mas disse que foi o jeito de chegar perto de uma mulher linda como eu.
- E vocês saíram depois?
- Sim. Pena que não deu certo.
- O que houve?
- Descobri que ele trabalhava mesmo na empresa de cosméticos. E que a proposta era verdadeira.
- Que bom, então.
- Seria, mas ele disse que me tirou da seleção porque gostou de mim. Não queria misturar as coisas.
- Então você perdeu a oportunidade, mas ganhou um namorado apaixonado.
- E eu lá preciso de um? Namorado apaixonado eu arrumo outro. Um emprego desses, nunca mais! Terminei com ele logo que soube.
- Você não acha que foi um pouco fria?
- Vocês homens são engraçados. Não vê você aí, achando que ia me enganar com essa história de pesquisa?
- Eu?
- Aposto que vai pedir meus contatos no final, né?
- Bem, sim, eu ia, mas...
- Acham que mulher é tudo boba. Que a gente cai em qualquer conversa.
- Não era a minha intenção...
- Que podem usar a gente o quanto querem. Na hora que a gente dá o troco, chamam de fria, de interesseira.
- Você há de convir que soou meio assim.
- Foi? E se eu disser que inventei tudo?
- Não sei. Acho que não acredito.
- Claro. Típico. Agora sou mentirosa, né? Olha, gatinho, vai cantar de galo em outro lugar, tá bom?
- Mas eu não terminei. Seus contatos...
- Procura na lista. Luciano de Albuquerque. Passe bem.
- Ah, vai. Essa cantada, não.
- Na verdade não é uma cantada. Tô fazendo uma pesquisa.
- Pesquisa, é?
- Sim, sobre os frequentadores desse bar.
- Hum. Desculpe. Sabe como é, né?
- Imagino que você esteja acostumada com esse tipo de abordagem.
- Nem tanto. Mas é que é bem batidinha...
- E qual é o tipo de cantada que te atrai?
- As mais inteligentes, ué.
- Alguma que você possa citar?
- Deixa eu ver... Uma vez um cara me disse que era de uma empresa de cosméticos e que estava interessado em me contratar como modelo oficial da marca dele.
- E você?
- Fiquei interessada, né? Daí ele pegou meu telefone e disse que a empresa dele entraria em contato para uma entrevista.
- E a empresa ligou?
- Nada. Ele ligou no dia seguinte, pediu desculpas pela brincadeira, mas disse que foi o jeito de chegar perto de uma mulher linda como eu.
- E vocês saíram depois?
- Sim. Pena que não deu certo.
- O que houve?
- Descobri que ele trabalhava mesmo na empresa de cosméticos. E que a proposta era verdadeira.
- Que bom, então.
- Seria, mas ele disse que me tirou da seleção porque gostou de mim. Não queria misturar as coisas.
- Então você perdeu a oportunidade, mas ganhou um namorado apaixonado.
- E eu lá preciso de um? Namorado apaixonado eu arrumo outro. Um emprego desses, nunca mais! Terminei com ele logo que soube.
- Você não acha que foi um pouco fria?
- Vocês homens são engraçados. Não vê você aí, achando que ia me enganar com essa história de pesquisa?
- Eu?
- Aposto que vai pedir meus contatos no final, né?
- Bem, sim, eu ia, mas...
- Acham que mulher é tudo boba. Que a gente cai em qualquer conversa.
- Não era a minha intenção...
- Que podem usar a gente o quanto querem. Na hora que a gente dá o troco, chamam de fria, de interesseira.
- Você há de convir que soou meio assim.
- Foi? E se eu disser que inventei tudo?
- Não sei. Acho que não acredito.
- Claro. Típico. Agora sou mentirosa, né? Olha, gatinho, vai cantar de galo em outro lugar, tá bom?
- Mas eu não terminei. Seus contatos...
- Procura na lista. Luciano de Albuquerque. Passe bem.
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