sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Alice
As luzes se apagam e minha mente não desliga. Visito lugares que não existem mais e que, ainda assim, provocam uma ausência desesperada em mim. Se o território é incerto, é mais provável que meu peso. Pedras largas não me servem de âncoras. Haja oceano. Talvez um acidente geográfico dê a tônica do meu espaço físico. Ondas magnéticas. Sinais de fumaça. Não sei em que direção flutuam. Alguém tem que me atirar a bóia. Antes que eu desapareça no chá das 5. Estou atrasada. Espero um dia chegar.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Soul
Entre a beira do rio Tejo e a do Hudson, muita água. Saudade agarrada em outro porto. Raízes soltas onde sempre estiveram. Mas há uma vida que cresce e me transforma. Tanta que transborda. Nem Irene foi capaz de um estrago assim.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Balanço
Plantei rugas de esperança em olhos que ainda não conheço. Trouxe a respiração para perto do meu retrato. Ainda não fui capaz de esvaziar os meus bolsos. Quantas pétalas é preciso para voar?
terça-feira, 1 de março de 2011
Palco
Atravesso as paredes mas não encontro desculpas. Minhas marcas lavam seus erros. O sabão escorre como meu passado. Aquele que não conheço.
Que toque a música. A maquiagem está pronta. O espetáculo vai começar.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Rio
Besta, o Tejo faz questão de aparecer na minha janela. Só para me lembrar que ele é só uma pincelada de azul em um dos cantos do País. Que não é o meu.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Utopia
Nascemos e confundimos tudo. Mexemos com tudo. Nosso umbigo fica intacto. É fácil saber quando se olha para ele todos os dias. Difícil ver os olhos. Trazem muitas conclusões. Parí-las dói muito. Há que se evitar pensar. Ou sentir. Tentar passar ileso. E ir embora. Com glórias. E um peito vazio. Alguns chamariam de heresia. Desperdício, talvez. Eu digo que é sabedoria. Daquelas que jogam no nariz da gente. E, mesmo assim, não se aprende.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sem ação
Parado entre um ponto e outro. Rodeado por uma multidão. Aos pés de mãos santificadas. O verbo, carne do início do mundo. Cerne de uma sentença.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O dom
Perdi. Pela janela vi que não caiu na casa do vizinho. Procurei entre os degraus da minha rua. Desempilhei os cacos da noite do Bairro. Virei o Adamastor de cabeça para baixo. Talvez na Ribeira. Ou no horizonte da minha varanda. Acho mesmo que se foi pelo Tejo. Levou mais do que um pedaço de mim. Deixou um espaço enorme. Que eu esqueci como preencher.
sábado, 26 de junho de 2010
Junina
Em Lisboa, a lua não tem vergonha de entrar pela janela, nua. Noiva dos arraiás de São João. Joga-se aos meus pés, dentro da minha sala. Safada. Pode vir. Eu é que não saio daqui. Tenho medo de mim.
Assinar:
Postagens (Atom)